Mini exposição Dener Pamplona + Clodovil Hernandes.

A folha lança no próximo dia 23/08/2015 a coleção “Moda de A a Z”, sua primeira coleção de moda, que une grandes estilistas nacionais e internacionais.

Como parte do lançamento, o estilista Alexandre Herchcovitch (que será um dos estilistas citados na coleção) abriu o espaço da sua loja em São Paulo para uma pequena exposição de 3 grandes estilistas brasileiros: Zuzu Angel, Dener Pamplona e Clodovil Hernandes.

Eu como fã, estudante de moda e louca por exposições, dei uma passadinha por lá para conferir as maravilhosas peças. Infelizmente, quando cheguei já não haviam peças da minha preferida Zuzu Angel, mas consegui conhecer de perto um pouco do que foi o maravilhoso trabalho do Dener e do Clodovil.

A vitrina da loja serviu de porta de entrada para a exposição.

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Á esquerda vestido bordado de Dener Pamplona, alguns chapéus, revistas e croquis feitos por ele. Á direita vestido do Clodovil Hernandes com alguns croquis feitos por ele.
Estilista Dener Pamplona. Á esquerda, reprodução pelo ateliê José Gayegos. Vestido Desfile, coleção de verão, criado em 1.974. Á direita, Vestido Festa, criado em 1.978 para sua filha, Maria Leopoldina Splendore Pamplona de Abreu. Ambos reprodução e acervo José Gayegos.
Estilista Dener Pamplona.
Á esquerda, reprodução pelo ateliê José Gayegos. Vestido Desfile, coleção de verão, criado em 1.974.
Á direita, Vestido Festa, criado em 1.978 para sua filha, Maria Leopoldina Splendore Pamplona de Abreu.
Ambos reprodução e acervo José Gayegos.
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Estilista Dener Pamplona. Á esquerda, Vestido Festa (1974), doado pela Sra. Salma Hantum. Meio, reprodução pelo ateliê José Gayegos. Vestido Desfile, coleção de inverno, criado em 1978. Á direita, Vestido Festa (1975). Todos acervo José Gayegos.
Dener Pamplona. Á esquerda, ano original (1969) Vestido Festa, coleção de verão, criado em 1974. Acervo Maria Stella Splendore.
Dener Pamplona.
Á esquerda, ano original (1969) Vestido Festa, coleção de verão, criado em 1974. Acervo Maria Stella Splendore.
Estilista Clodovil Hernandes. Á esquerda vestido Desfile (1981), doado pela Sra. Janete Boghosian. Á direita peça executada para Marcelle Bittar, desfile da APAE (2000) Ambos do acervo do Instituto Clodovil Hernandes.
Estilista Clodovil Hernandes.
Á esquerda vestido Desfile (1981), doado pela Sra. Janete Boghosian.
Á direita peça executada para Marcelle Bittar, desfile da APAE (2000)
Ambos do acervo do Instituto Clodovil Hernandes.
Estilista Clodovil Hernandes. Á esquerda réplica executada pelo próprio estilista. Smoking Feminino (1975), homenagem á Sra. Marita Martins. Á direita Vestido Festa, doado pela Sra. Hederly Martins.
Estilista Clodovil Hernandes.
Á esquerda réplica executada pelo próprio estilista. Smoking Feminino (1975), homenagem á Sra. Marita Martins.
Á direita Vestido Festa, doado pela Sra. Hederly Martins.

No final da visita, ainda ganhei os 2 primeiros volumes da coleção Moda de A a Z + o Glossário de tecidos. E claro que acabei comprando uma caneca do Alexandre Herchovitch.

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Zuzu Angel.

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A Moda de Zuzu.

Zuzu Angel , foi uma estilista brasileira. Conhecida por sua moda inspirada em referências visuais e culturais brasileiras, foi a precursora de brasilidade na moda e legitimadora do seu próprio estilo, com roupas super brasileiras. Nascida em Curvelo – MG, aprendeu a costurar e inicialmente costurava para ela e os filhos.

Em meados de 1957, Zuzu passou a costurar para outras pessoas, começou costurando saias, depois blusas e quando percebeu já estava participando significativamente do cenário da moda carioca, produzindo artesanalmente e em série.

Produziu diversas peças para celebridades nacionais e internacionais, participou de feiras de moda dentro e fora do Brasil. Fez desde vestidos de noivas, até peças masculinas e sempre abusou da temática nacionalista de cores, estampas, bordados e rendas; criou coleções para magazines, figurinos para o cinema e teatro, criou bolsas, desenvolveu coleções a ser lançadas nos Estados Unidos, ganhou prêmios por sua atuação na moda, entre diversas outras coisas.

Flores e pássaros, borboletas e papagaios, Lampião e Maria Bonita lhe serviam de fonte de inspiração para suas criações na moda. O que mais marcou a moda de Zuzu Angel, foi sua coragem de assumir o Brasil como maior fonte de inspiração, contando que no seu tempo a moda da elite social e financeira era comprar estilos importados, principalmente da França.

Ela foi pioneira em assumir seu próprio País como fonte de inspiração, valorizando e privilegiando suas auto-referências.

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A ditadura militar

Infelizmente, não podemos falar da Zuzu Angel sem lembrar da trágica história que envolveu seu filho Stuart. Em 1971 Stuart Angel, seu filho mais velho, foi preso, torturado e assassinado pela ditadura militar, a partir daí a causa de Zuzu Angel se resumia a uma só bandeira: “Conseguir o corpo do seu filho”.

Seu protesto foi para as passarelas e em 1971, quando foi lançar sua coleção em NY, colocou para desfilar no lugar das rendas, bordados de flores, frutos e borboletas, vestidos que exibiam silhuetas bélicas, pássaros engaiolados e balas de canhão disparadas contra anjos – o anjinho da sua grife.

A partir daí, Zuzu transferiu para sua moda toda sua dor e revolta e seus figurinos foram além do estilo e da referência e criou com eles uma linguagem. Ela passou a colocar as cores da morte em suas peças. Em 1976, 5 anos após sua luta pelo corpo de seu filho, Zuzu foi vítima de uma emboscada feita pelos militares e morreu num “acidente” de carro.

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Para sempre Zuzu Angel.

O legado de Zuzu Angel não terminou por aí. Após sua morte Hildergard Angel (sua filha), fundou o Instituto Zuzu Angel (IZA) para manter viva a memória e o legado de sua mãe. O IZA é responsável pelo primeiro curso superior de moda do RJ (terceiro do país) e se tornou um cobiçado polo de ensino por estudantes de inúmeras áreas criativas.

Segundo Hildergard, o instituto sempre teve a intenção de estimular a brasilidade, algo que ela sempre admirou muito no trabalho de Zuzu.

Zuzu é até hoje homenageada por diversos artistas, ela serve de inspiração para estilistas, músicos, feministas, mães e artistas de diversos tipos de artes. Ela foi mais do que uma grande mãe ou estilista, ela foi uma verdadeira guerreira e uma das maiores mulheres da nossa história!

Fotos de croquis, modelagem e acessórios pessoais de Zuzu, tiradas na exposição Zuleika em SP (2014).

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Abaixo a música Angélica, feita pelo ilustríssimo Chico Buarque em homenagem á Zuzu Angel.